O que é um Targum?
O vocábulo Targum é hebraico e significa uma paráfrase aramaica, uma tradução interpretativa, de alguma porção do Antigo Testamento. A Mishnah Megilah iv4 alista as regras de como os targuns deveriam ser usados e de como os meturgeman (tradutor que criava os targuns) deveria realizar seus targuns e estes normalmente não deveriam ser escritos, apenas citados oralmente.
Existe um “Targum sobre Jó” que já existia no primeiro século da era cristã e que recentemente foi encontrado numa outra cópia na caverna XI, em Qumran (Manuscritos do Mar Morto), este é provavelmente o mais antigo que se tem por escrito, no entanto existem outros, como o “Targum sobre o Antigo Testamento inteiro comentando-o entre si”, diversos “Targuns sobre o Pentateuco” com destaque para o “Targum de Onkelos”, dois “Targuns de Jerusalém (ou palestinianos)” sendo que devido a uma falsa identificação de autoria, um deles é chamado de “Targum Pseudo-Jônatas”. Também existem sobre os profetas, como o “Targum de Jônatas bem Uziel”.
O que é a Septuaginta?
A Septuaginta ou como é abreviada LXX (setenta em números romanos) é a mais importante tradução grega do Antigo Testamento, bem como a mais antiga tradução influente em qualquer idioma.
Suas origens exatas ainda são debatidas. Certa carta, supostamente escrita por alguém chamado Aristélas ao seu irmão Filócrates (285-246 a.C.) relata como Ptolomeu Filadelfo, persuadido por seu bibliotecário a obter uma tradução das escrituras hebraicas para a sua biblioteca real, fez um apelo ao sumo sacerdote de Jerusalém, que lhe enviou 72 anciãos a Alexandria, com uma cópia oficial da lei. Ali, em 72 dias, fizeram uma tradução que foi lida perante a comunidade judaica entre grandes aplausos, e então foi apresentada ao rei. Por causa do número de tradutores essa tradução se tornou conhecida (um tanto inexatamente) como Tradução dos Setenta, LXX ou Septuaginta. A mesma história é contada com detalhes diversos por Josefo. Muito provavelmente o texto que foi traduzido foi apenas a Lei, primariamente para o benefício dos judeus de fala grega que ali viviam, esta seria a LXX original. Os livros restantes do Antigo Testamento teriam sido traduzidos aos poucos, posteriormente (algum tempo antes de 117 a.C.).
E a Peshita?
No “Novo Dicionário da Bíblia” de J.D. Douglas e em “A Interpretação da Bíblia” de W.E.Viertel encontramos que esta palavra é usada para uma tradução da Bíblia Hebraica (TaNaK – veja o artigo sobre o cânon), onde os autores afirmam que depois da Septuaginta a mais antiga e mais importante tradução das Escrituras hebraicas é a versão siríaca (sendo que Viertel a posiciona provavelmente na metade do 1º século de nossa era). Esta tradução, usada pela igreja Siria, vem sendo conhecida como a versão Peshita (ou Pesita – conforme consta no Novo Dicionário da Bíblia de J.D. Douglas e ainda Peschitta conforme consta n’A Interpretação da Bíblia de W.E. Viertel). De qualquer modo o significado desta palavra pode ser traduzida para o português como “simples” e este significado remete-nos a necessidade de produzir versões da Escrutura que possam ser bem compreendidas por seus leitores.
A despeito de pesquisas eruditas no tocante à origem dessa versão, não possuímos informações diretas sobre o autor ou autores, nem sobre a data da tradução, e já nos tempos de Teodoro de Mopsuéstia (falecido em 428 d.C.), os detalhes concernentes à sua proveniência eram desconhecidos.
A evidência interna, entretanto, nos capacita a chegar a certas conclusões acerca de sua provável origem. Vestígios lingüísticos de aramaico ocidental, numa versão que em outros particulares é um dialeto aramaico oriental, revelam alguma familiaridade com um Targum palestiniano do Pentateuco. Semelhantemente, tem-se demonstrado a concordância direta do texto da Peshita, em Gênesis 29:17, com um texto da Geniza e do Targum palestiniano, em contraste com o Targum de Onkelos e com o Pseudo-Jônatas. Esses fatos sugerem que o Pentateuco da Peshita se originou em um distrito aramaico oriental, que tinha alguma relação com Jerusalém, porém nada pode ser dito de conclusivo com relação a esta origem, sabendo que ela pode ser muito mais antiga do que pensamos.
E a Vulgata?
É conhecida como Vulgata que significa “usual” ou “comum” a tradução de texto realizada por Jerônimo. Em 382 d.C., o Papa comissionou a Jerônimo para fazer uma revisão da velha tradução latina, diz-se que esta revisão foi exatamente para tentar se igualar à Igreja Síria que tinha a Peshita (não é mera coincidência que os nomes sejam os mesmos Vulgata em Latim e Peshita em Sírio significam “Comum” em português). Jerônimo escolheu um texto latino relativamente bom e comparou-o com manuscritos em grego antigo. Os Evangelhos foram corrigidos primeiro e o Velho Testamento completado em 405 d.C. O trabalho tornou-se a Bíblia oficial da Igreja Latina e continua a ser a Bíblia atual da Igreja Católica Romana. Um professor de Paris, Estevão Langton, que se tornou Arcebispo de Centerbury em 1228, dividiu a Vulgata em capítulos modernos.
E em Português? Quando surgiu a Bíblia em Português?
Segundo Stephen M. Miller e Robert V. Huber em sua obra “A Bíblia e Sua História: O surgimento e o impacto da Bíblia”, os primeiros textos bíblicos traduzidos para o português foram traduções parciais, resumos históricos e paráfrases. Eles destacam que já em 1320, no reinado de Dom Dinis de Portugual, foram publicados em português o Livro de Atos dos Apóstolos e uma história abreviada do Antigo Testamento.
Segundo Viertel em “A interpretação da Bíblia”, a zelosa rainha portuguesa D. Leonor, mulher de D. João VI, tentou popularizar as Escrituras. Tendo mandado primeiramente traduzir um livro latino chamado a Vida de Cristo, ela, em 1505, mandou publicar o livro de Atos dos Apóstolos e as epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas, porém, com sua morte, o clero da Igreja Católica reagiu contra a publicação em português de textos da Bíblia e essas obras desapareceram das bibliotecas, sendo que muitos foram queimados por ordem dos padres, bispos e do papa católico.
Já em 1663, a Companhia Holandesa das Índias Orientais (fundada em 1602), que era organizada para o comercio e desenvolvimento das várias colônias européias e que tinha dentre seus requisitos a obrigação de cuidar de plantar Igrejas entre os povos, patrocinou a revisão do Novo Testamento de João Ferreira de Almeida, português e católico de nascimento e que indo morar na Holanda se converteu a Igreja Reformada e se tornou um zeloso evangelista pregando em português, espanhol, francês e holandês. João Ferreira de Almeida completou toda a tradução do Novo Testamento e morreu em 1691 antes de completar o Antigo Testamento tendo ido somente até Ezequiel capítulo 48 versículo 21 (outro tradutor continuou a tradução por ele até completar o texto que faltava). Esta é a primeira versão completa da Bíblia em Português.
Porque mais de uma versão dos textos Bíblicos?
As línguas são constantemente alteradas, tanto na utilização de certas palavras quanto na forma de se escrever as mesmas. É por este motivo que falamos que uma língua é “viva” e pelo mesmo motivo falamos que uma língua como o latim é uma língua “morta”.
Entendendo isto e sabendo que sempre houve a preocupação de se providenciar versões da Bíblia que fossem compreendidas pelos leitores de épocas e lugares diferentes, tornam-se necessárias novas versões da Bíblia. A Bíblia é um tesouro que não pode ficar escondido nas versões envelhecidas de línguas inacessíveis ao povo. Sempre serão necessárias novas versões, em novas línguas, e nas línguas em que ela já existe, para que suas mensagens continuem vivas, falando a mesma mensagem aos leitores de cada época e lugar com uma linguagem compreensível pelos leitores.







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