Por Pr. João Falcão Sobrinho
Publicado no Jornal Batista
de hoje 17/06/2012
O irmão Edson Souza é um membro ativo e dedicado na Primeira Igreja Batista de Irajá, administrador do acampamento da Igreja. Há mais de 13 anos, ele possuia um armazém no endereço onde reside até hoje. Ele mantinha sobre o balcão da venda, um vidro de balas para vender à petizada. De repente, começou a frequentar a loja um menino de seus nove anos. O guri entrava, nada comprava e nada dizia. Ficava em pé caladinho junto ao balcão. O irmão Edson percebeu que o pote de balas estava sendo mexido e se pôs a observar.
O pequeno frequentador do armazém se postava sempre perto do pote e ali ficava bem quietinho. Um dia, o irmão Edson fez que saia da loja e ficou na espreita. De repente, o menino enfiou a mão no pote e apanhou um bom punhado de balas. O irmão Edson o segurou pelo braço e o levou para a mãe do garoto, conhecida mãe de santo que possuia um terreiro perto do armazém. Chegou segurando o menino pelo braço e disse: “Olha, o seu filho está roubando balas na minha venda”. Em resposta, a mulher começou a xingar o irmão Edson de tudo o que é palavrão, em altos brados, dizendo que ele era um desaforado ao vir fazer queixa do menino. Envergonhado, o irmão Edson voltou para o seu posto de trabalho sem falar mais nada.
No dia seguinte, ao abrir a loja, ele se deparou com o horror. A porta de aço do armazém estava toda cheia de fezes humanas. Edson levou o dia todo para lavar com creolina o ambiente e nem pode abrir o negócio naquele dia. No dia seguinte, ao abrir a loja, deparou-se com um monte de excremento bem na soleira da porta. A cena se repetiu por sete dias seguidos e ele, pacientemente, todos os dias se punha a lavar a calçada antes de abrir a venda, sem nada reclamar, embora soubesse, claro, a origem de tanta sujeira. De repente, a mãe de santo sumiu e não foi mais vista no local. Mudou-se com altares e congá para outro bairro e o irmão Edson continuou trabalhando no seu armazém.
Doze anos se passaram. Numa bela manhã, aquela mesma mulher entra na loja. Ele a reconheceu logo, embora ela estivesse bem arrumada, remoçada, sorridente. Aproximou-se do dono da venda, abriu os braços para um abraço e disse: “Irmão Edson, eu vim aqui para lhe pedir perdão pelo mal que eu lhe fiz doze anos atrás; agora eu aceitei Jesus, Cristo transformou o meu coração, tirou toda a ruindade de dentro de mim e fez de mim uma nova pessoa; vim lhe pedir perdão; agora somos irmãos em Cristo e eu sou diaconisa da Assembleia de Deus”. Como essa mulher estava diferente. Até o seu timbre de voz tinha mudado.
Conversaram um pouco e a ex-mãe de santo falou: “Sabe, irmão, a sua atitude de paz e de humildade diante de todo o mal que eu lhe fiz, muito me impressionou. Pensando na maneira como o irmão reagiu na ocasião, sem revidar, sofrendo calado, eu pensei: Tem alguma coisa diferente na religião da Bíblia. Hoje estou aqui, salva por Jesus por causa do seu testemunho. Agradeço-lhe por tudo e quero que o irmão diga que me perdoa”.
Edson respondeu: “Eu já perdoei a senhora doze anos atrás. Nada tenho mais que perdoar, mas agradeço a Deus porque a sua vida foi alcançada pela graça da salvação; que Deus a abençoe”. Despediram-se, a mulher se foi, mas no coração do irmão Edson ficou a gratidão a Deus por sua infinita misericórdia porque só pela misericórdia de Deus é que Edson poderia ter agido como agiu.
Ao ler esta história, Zênia, que conhece o irmão Edson e sua esposa Júlia, comentou: É, por muito menos a gente se irrita e perde a paciência, mas a atitude do Edson foi o que incomodou aquela mulher. É verdade, você sabe.



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